INICIA amanhã, na província do Maputo, a operação de desminagem na linha de transporte de energia de Alta Tensão, no troço Maputo/Komatiport, numa extensão de cerca de 80 quilómetros - soube o “Notícias” de fonte do Instituto Nacional de Desminagem (IND).
António Belchior, chefe das Operações do Instituto Nacional de Desminagem, explica que a iniciativa surge da necessidade de livrar a área das minas, pois a permanência destes engenhos coloca em perigo permanente as comunidades residentes nas proximidades da linha ou que desenvolvem em seu redor actividades como agricultura.
Nos últimos anos, segundo o nosso interlocutor, têm sido reportados casos de acidentes resultantes de accionamento de engenhos explosivos, não obstante a sinalização das áreas consideradas afectadas.
“As minas foram plantadas para proteger a linha de transporte de energia no tempo do conflito armado. Volvidos 17 anos de paz, já não faz sentido manter os engenhos plantados. Ademais, temos recebido reclamações das comunidades que fazem machambas ou que residem na zona solicitando a sua remoção”, explicou a nossa fonte.
Naquela área a desminagem será feita com recurso a máquinas. Sobre a duração da operação a fonte não precisou por se tratar de um processo que está na fase inicial. Disse, contudo, que a operação poderá levar muito tempo, porquanto cada torre tem à sua volta 200 a 300 minas plantadas.
Sobre os recursos envolvidos António Belchior disse não haver um orçamento global porque esse valor só poderá ser calculado em razão do valor gasto na desminagem da primeira torre.
A operação de desminagem está confiada à Hello Trust, uma organização não-governamental que trabalha na desminagem, e terá a monitoria e fiscalização do Instituto Nacional de Desminagem.
No país existem actualmente 10 milhões de metros quadrados de áreas minadas e as metas por ano estipulam a desminagem de dois milhões de metros quadrados tornando-se desta forma impossível concluir o processo este ano.
Para tornar as áreas minadas e previamente sinalizadas livres dos engenhos, o país recorreu a organismos internacionais e remeteu um pedido de extensão do período para o ano 2014, facto que foi recentemente aceite em Genebra, Suíça.
O processo de desminagem em Moçambique é feito na base de prioridades. Essas prioridades são definidas na base dos programas do Governo que estão ser executados a nível distrital, provincial até nacional.